Como eu já venho dizendo nos textos passados, muita coisa mudou. A mudança mais radical foi aquela primeira, quando eu mudei de tema para o atual. As demais acontecem a todo instante, cada vez que eu pesquiso e me aprofundo em qualquer coisa relacionada ao meu TCC.
Desde que eu comecei as orientações com a professora Célia Maria Escanfella, em fevereiro, meu horizonte foi mudando, ou melhor, se estendendo, porque tive contato com mundos gigantes e diferentes entre si, mas que combinados em doses homeopáticas, resultarão no meu trabalho final.
Difícil é gerenciar tanta informação, de tão variados mundos, e extrair o essencial sem ser muito generalista ou muito específico e parcial. Por isso, talvez, eu demore tanto para passar para as próximas etapas. Estou em busca desses sumos para poder fundir tudo de uma só vez.
Informações recentes me levaram a fazer novos recortes, novas abordagens. Compartilho com vocês agora essas descobertas e digo como elas influenciam no Projeto Amar.elo (clique nos links pra saber mais):
::Descoberta do número de praças existentes na cidade::
Primeiro fiquei feliz em saber que o site da prefeitura de São Paulo é bem completo. Nunca tinha entrado, então fiquei surpreso com a enorme quantidade de informação publicada lá. Às vezes não tem alguns dados específicos de uma região, porque o site depende das informações que cada subprefeitura repassa.
São exatamente 4.408 praças públicas, espalhadas por centenas de sub-bairros, que são divisões dos 96 distritos oficiais; que por sua vez, são de responsabilidade das 31 subprefeituras do município.
Com todos esses números fica até difícil se decidir por uma, pra começar a atuar. Mas de uma coisa já fico ciente, os acordos devem ser feitos com a subprefeitura do local.
::Descoberta do projeto PraçAção::
Em abril a prefeitura contratou 62 equipes para a limpeza e a manutenção das praças. Aqueles “laranjinhas” que cortam grama e varrem o lixo fazem parte dessas equipes. Mas pelo jeito não foi suficiente, por isso criaram um novo projeto.
O projeto PraçAção foi iniciado em outubro de 2005. É um projeto da prefeitura para a conservação das praças públicas. Como vimos o número de praças na cidade é enorme, portanto o governo resolveu investir também em parcerias com a sociedade civil. Qualquer empresa ou associação pode adotar uma praça, se responsabilizando por mantê-la limpa e “saudável”, vamos dizer assim. Com a adoção, o governo liberaria o parceiro a colocar uma placa informando o responsável pela praça. Parece que no início do projeto mais de 300 parcerias foram estabelecidas, e no começo de 2006, já eram quase 500. O projeto visa estabelecer programas de lazer em algumas praças, trazendo atividades físicas e culturais nos fins-de-semana, que envolveriam não só as pessoas do bairro como também alunos e funcionários de colégios públicos.
Não sei as quantas andam agora em 2008, o projeto e a atividade desses programas divulgados. Só sei que uma lei (Lei Cidade Limpa) criada pelo atual prefeito, Gilberto Kassab, que determinou acabar com a poluição visual na cidade de São Paulo, entra em confronto com esse acordo estabelecido do Projeto PraçAção. A lei é bem clara: ” Segundo as novas regras, fica totalmente proibida, por exemplo, a colocação de peças de propaganda em ruas, parques, praças, postes, torres, viadutos, túneis, faixas acopladas à sinalização de trânsito, laterais de prédios sem janelas e topos de edifícios.”
Essa relação e atrito de leis devem ser investigados a fim de saber se uma futura ação gráfica nas praças poderia ser entendida pela prefeitura como poluição visual. Pois sabemos que não é só propagandas que poluem a cidade. Aliás, a prefeitura andou pintando muros pichados e tem ficado pior que caderno universitário rasurado com “liquid paper“.
::Descoberta do Projeto BioUrban::
Minha maior surpresa foi descobrir que alguém estava pensando na mesma coisa que eu, e no mesmo período. Li sobre o Projeto BioUrban no Jornal do Cambuci & Aclimação. Estava na primeira página do jornal, com a foto do mentor do projeto, Jeff, e uma chamada em letras garrafais: “Arte no escadão”. Jeff Anderson é na verdade um artista plástico e estudante de ciências sociais na PUC-SP. Ele decidiu intervir no espaço urbano de modo a trazer vida à cidade. Para tal, propõe a recuperação social, ambiental e arquitetônica. Ele agiu primeiramente em uma escadaria do bairro do Cambuci, entre as ruas Oliveira Campos e Oliveira Lima. Com influência do artista e arquiteto austríaco Friedensreich Hundertwasser, ele recuperou o espaço através da decoração com o próprio lixo que estava jogado lá. Foi ajudado por moradores da comunidade de bairro e instalou na escadaria uma livraria pública, que não exige cadastro prévio para pegar um dos mais de 350 livros disponíveis. Detalhe: esse é o TCC dele! (acho que no mínimo, ele mandou muito bem! hehe)
Para saber mais, acesse os links abaixo:
::Descoberta do novo layout de placas no Rio de Janeiro::

Pois é, como podem ver, as idéias estão no ar. A prefeitura do Rio de Janeiro pegou primeiro. A Plamarc ganhou a licitação, e assim os direitos de fazer todas as placas da cidade, contextualizando os nomes das ruas citadas nelas. A pesquisa e o conteúdo das placas são fornecidos pela prefeitura. Um jeito de disseminar alguma cultura a mais, através da história da construção da cidade e, dar aos gringos visitantes e moradores locais, mais “pontos culturais” e turísticos no Rio de Janeiro.
E eu só fiquei sabendo disso, porque o G1 publicou um equívoco que havia sido feito com uma personalidade que dava nome a uma avenida do bairro do Leblon. As matérias podem ser conferidas abaixo (o erro, a correção e a empresa, respectivamente):
*matéria1 :: matéria2 :: site plamarc
::Leitura recente do livro do Roberto DaMatta::
O livro A casa & a rua do antropólogo Roberto DaMatta se tornou a Bíblia para o meu trabalho. Deu a fundamentação teórica que era preciso ao projeto. Entender e relacionar entre si os fatos que promovem a vida urbana, principal e especificamente no Brasil, é a chave para agir com consciência na cidade. Recomendo a todos que querem entender o porquê do Brasil ser assim. DaMatta será exaustivamente citado por mim nas próximas análises e estudos feitos sobre o indivíduo e a cidade.
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Tudo isso, combinado com as leituras sobre os tempos modernos (Modernidade líquida e A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa, de Zygmunt Bauman e Nicolau Sevcenko, respectivamente), contextualiza só parte uma parte do projeto.
Diante desse panorama, noto a falta e a conseqüente necessidade de pesquisar (e dominar) sobre intervenções – principalmente, urbanas -; e teorizar “mais” sobre a função do design e seus profissionais. Desse modo, provavelmente, as postagens futuras serão sobre esses assuntos. Antes, porém, deve aparecer um estudo sobre um dos objetos principais desse projeto: a praça. Esse estudo é essencial para avançarmos para o próximo degrau, sendo assim, coloco-me em dívida desde já, para escrevê-lo e postá-lo o quanto antes. Aguardem!