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As opiniões se dividem quando falamos da existência do trabalho de conclusão de curso, o famoso TCC. Não sei como essa história está agora, se todas as instituições serão mesmo obrigadas a excluírem essa “matéria” de suas grades curriculares ou se a decisão é facultativa. Só sei que as grades já em curso devem ser obedecidas até seu término, logo, terei o privilégio de aproveitar as possibilidades do TCC.

Sem ironias. Eu acho mesmo que o TCC não deve acabar, pois ele é o processo intermediário entre o aprendizado “escolar” e o mercado “profissional”. É como se alguém chegasse pra você e te desafiasse: “pense no que você quer trabalhar e faça o melhor projeto que conseguir, para provar que merece seu lugar entre os profissionais da área”.

Cruel demais? (hehe) Talvez nem tanto porque já estamos acostumados com as muitas cobranças e provações que nos foram exigidas durante o percorrer do nosso caminho até chegarmos aqui.

Fora esse lado mais “cruel” e comercial da coisa, eu defendo a existência do TCC por ser o momento “x” pra realmente estudar e aprender (e apreender!) uma infinidade de conteúdos específicos e correlacionados ao seu tema. O que é incrível!

Qualquer tema que se escolha, a partir dessa decisão, uma trama imensa se abre com assuntos associados. Assuntos esses que podem ser naturalmente associados por sua proximidade semântica ou até relacionados através de outros assuntos que trilhem caminhos diferentes mas que se cruzem em um determinado momento, distante ou não.

Por isso, surge como necessário, e da maior importância para a organização das idéias, o chamado “recorte”, cujo uso é imprescindível para a simplificação dessa trama complexa que se estabelece, como eu já disse anteriormente, assim que escolhemos uma palavra, que seja, como tema guia.

Mas deve se ter muito cuidado com o recorte! O resultado final do trabalho depende dele. É como ter um mapa estelar em mãos e, ao invés de ligar estrelas para formar um signo completo, liga-se muitos pontos que formem um zodíaco inteiro; ou fecha-se um desenho incompreensível, ou até, então, liga-se apenas dois pontos, formando um “micro-nada” - que não se relaciona com nenhuma das possibilidades que fazem sentido, ou seja, uma ligação errônea, que não contribuirá para a produção de conhecimento público (no máximo no seu próprio, o que não é recomendável no mundo acadêmico e profissional).

Transpondo tudo isso para o meu caso específico, o Projeto Amar.elo já sofreu uma série de mudanças e recortes. Isso, porque o recorte não é uma incineradora, como pode-se pensar. As partes que são excluídas em um primeiro momento podem se juntar novamente, até em menores pedaços que antes, aproveitando mais essencialmente seu significado para o trabalho.

Fazendo uma comparação com o universo do design gráfico, o recorte se assemelha mais a uma edição feita no Photoshop, em que é possível “esculpir” um material bruto, excluindo, remendando, intercalando e sobrepondo - e no final, polindo -, para se obter uma unidade novamente; com a possibilidade ainda, de voltar passos atrás e reconstruir algo totalmente novo (claro que dentro dos limites do tempo: há um momento que tanto no programa quanto na “vida real” não se pode, e nem se aconselha, voltar atrás, tamanho o investimento de tempo e suor em uma linha de raciocínio).

Os recortes também são naturais a partir do momento em que as muitas referências de estudo são assimiladas e cruzadas entre si, sofrendo dessa maneira, um processo de adição e exclusão simultâneo. E, como exemplifiquei, é importante não só limar, mas também polir esse produto, para que não se tenha arestas que prejudiquem o todo, e de fato, no final, seja um trabalho brilhante!

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