Uma palavra-chave, ou melhor, um termo-chave do Projeto Amar.elo é “praça pública”. Esse foi um primeiro recorte dado lá no início do projeto, que nem sequer tinha um nome (ou um codinome, como ainda prefiro dizer). Aliás, lembrando melhor, a intenção nem era trabalhar com a cidade, tão pouco com praças públicas.
No final de 2007, com a obrigatoriedade de se decidir por um tema, ainda estando com a cabeça imersa nas aulas e no projeto semestral - projeto embalar (talvez o mais difícil e completo do curso) -, a única certeza que eu tinha era que eu não tinha certeza de nada. Justamente pela importância que eu dava ao TCC (vide postagem anterior: “influi_então_inclui“), era muita responsabilidade para mim, definir algo que, de certa forma, me definiria (ou pelo menos, me acompanharia) pro resto da vida. Uma decisão tão importante quanto escolher a faculdade que se vai cursar, quando ainda se está no ensino médio!
Eu estava disposto a estudar algo que fosse complementar e talvez completasse todos os setores do design que eu havia aprendido: experimental, identidade visual, tipografia, editorial, interface e embalagem. Algo que alinhavasse tudo isso e me desse a liberdade de conhecer o novo e, com algum estudo, ter certo domínio disso. Sendo assim, inscrevi meu TCC na coordenação com o tema: “representação das relações humanas através de fotografias aplicadas em materiais diversos que traduzem o momento captado! (hehe)
Não me perguntem o que eu queria dizer com isso exatamente, mas a intenção era trabalhar com tudo o que eu queria descobrir ou aprimorar, como fotografia, design de superfície, sociologia, e também, não poderia me esquecer, o design gráfico. Mesmo tendo inscrito o tema no prazo, fiquei insatisfeito, obviamente, a ponto de não parar de pensar em como reverter a esteira que eu tinha escrito.
Foi quando, exausto, em uma das minhas muitas “viagens” de metrô, desisti de pensar no meu trabalho e fui repassando mentalmente o que meus amigos estavam fazendo. Eu estava totalmente empolgado com o projeto do Naldi, cujo esqueleto era uma frase apenas: “quando os mendigos morrem, eles viram pombos”. Era genial! O paralelo entre dois seres vivos solitários que são sempre afastados/afugentados da/pela sociedade, quando não, ignorados completamente. Uma presença-ausência; seres invisíveis.
Eu realmente gostei do tema, nunca havia visto ninguém fazer essa comparação, mesmo isso estando tão presente entre nós. E fiquei divagando sobre essas relações: se os mendigos são mantidos à margem da sociedade, mesmo estando inseridos nela; o espaço em que eles vivem não seria também desprezado? As pessoas não percebem que a sujeira do pombo é causada pela própria sujeira e poluição que elas produzem e lançam no espaço? Afugentar o pombo, por ser sujo, e excluir o mendigo, por não pertencer a um grupo social que se “relacione” com os demais, não deveria causar um questionamento sobre as ações adotadas por cada indivíduo que, uma hora invoca os direitos humanos e da igualdade, e na outra quer levar vantagem sobre qualquer coisa sem nenhuma punição? A sociedade não está disposta a mudar em vista dessa situação atual?
Não sabia responder todas essas perguntas, mas com bases que eu tinha de leituras anteriores (Nicolau Sevcenko e Zygmunt Bauman) pude traçar alguns paralelos, que achei que me motivariam a estudar e produzir algo de bom. Destacando alguns termos desses pensamentos, cheguei em: modernidade, cidade, relações pessoais, abandono. E me veio instantaneamente à mente as praças públicas de São Paulo.
Então tratei logo de mudar meu projeto, fiz mais alguns levantamentos de referências, problematizei melhor a situação, e o resultado pode ser observado no plano de pesquisa inicial, anexado no link abaixo.
Etiquetas: abandono, idéia, início, modernidade, plano de pesquisa, plavra-chave, praça pública, problematizar, projeto, referências, relações pessoais, solução, tcc, termo